07 de janeiro de 2012

As coisas que eu não esqueço

Eu tenho um talento monstro para esquecer as coisas. Nasceu comigo. Isso é fato.
Eu esquecia chupetas, meu nome, esqueço o que acabei de falar, o restante da frase, esqueço a porta aberta com a chave do lado de fora, esqueço o cão do lado de fora, esqueço o guarda-chuva, o telefone em todos os lugares (ok, esse eu esqueço de propósito), esqueço o horário da reunião, esqueço o seu nome instantes após termos sido apresentados, esqueço datas importantes, aniversários de namoro, esqueço que tenho namorado (ok, esse também é de propósito), esqueço o fogo ligado, a pipoca estourando, o citrato guardado e muitas outras coisas que eu esqueci.
No entanto, há algo que eu NUNCA vou esquecer:

"Mesa Árvore
Cavalo Cadeira
Relógio Caneta
Pássaros Sapato
Abelha Amor
2503"

Há muitos anos, fiz um teste no HC que consistia em memorizar essas palavras/números em 15 segundos e, infelizmente, ao me deparar com os tais, surgiu-me a cena: Uma MESA embaixo de uma ÁRVORE. Um CAVALO, que puxou uma CADEIRA e sentou-se por lá. Em um RELÓGIO marcou à CANETA os segundos de teste que restavam enquanto PÁSSAROS brigavam por um SAPATO e uma ABELHA fazia AMOR na 25 de MARÇO.
Mereço?
De tudo o que é sagrado, são essas as bobagens que eu não esqueço.
E quando chegar a hora, no momento derradeiro, se eu bem me conheço, consumida pelo Alzheimer no meu leito de morte, escutarão os que me amam e choram por mim minhas últimas palavras, sem o menor embaraço:

Mesa, árvore, cavalo, cadeira... amor na 25 de Março.

30 de novembro de 2011

Defina "ilha"

Havia uma inquietude, um desconforto constante em estar. E ainda há. Fosse eu uma ilha, descrita seria como pessoa aguerrida cercada de ameaças por todos os lados. O desejo de ser acima de tudo provoca um desmando na natureza das forças. Não é o mar que me engole, sou eu que me expando.

30 de novembro de 2011

O metrô

A feição das pessoas no vagão lotado era assustadora. Revelava a triste condição de zumbi dessa gente desencantada, conformada, rendida. Não fosse o metrô a levar e trazer seus corpos imotos, permaneceriam ali, estacionadas no grande nada que a vida lhes reservou.
Naquele momento, em tom de promessa, resmunguei: "Mas nunca na vida verão essa cara em mim"

28 de janeiro de 2010

O que é, o que é?

É um ícone feminino, usa roupas cor-de-rosa, é admirada por muitas, invejada por outras e desejada por todos.

Barbie?!



Não! É a Banana Pop!

29 de outubro de 2009

Perdoem as meninas

Perdoem as meninas, as adoráveis meninas. Tão suaves, tão perdidas. Tão ingênuas, tão ferinas.
De todas as espécies, de todas as famílias, o que seria a nossa vida, triste sina deste mundo, se não fossem as meninas.
Que se prendem e se perdem em diversas armadilhas, empesteiam-se de cores e poluem a nossa vista, que se mostram em gancheiras nas vitrines, nas revistas, que amam loucamente seus queridos, suas crias, que definham e sucumbem nos açougues, nas esquinas, nos prazeres violentos de alguns 'porcos' truculentos.
Perdoem as meninas, as vacas e as galinhas, exploradas desde sempre em suas formas femininas.
De todas as espécies, de todas as famílias, o que seria a nossa vida, triste sina deste mundo, se não fossem as meninas.

15 de setembro de 2009

"Meu amor, não se atrase na volta não"

Eu tive um final de semana abençoado, com a lua na varanda à noite e o sol pela manhã do meu lado. Passei esticada no parque, descansando, cumprimentando bichanos e sorrindo para os mundanos. Quem dera o tempo fosse todo assim.
Tamanha foi a alegria que agora nem ligo pra cara feia desse dia arrastado, nublado e sem fim. Se os que andam apressados percebessem que ganha a corrida quem chega por último, dariam mais atenção para mim. Mas eles estão ocupados demais com o nada do tudo que querem, o nada do tudo que têm. E perdem o frescor das manhãs, o calor dos amores e a beleza dos dias. Meu amor, não se atrase na volta não... nos vemos novamente, semana que vem.

"Vamos apostar uma corrida até o fim da vida?
Quem chegar por último, ganha."
Mariana Valentim

29 de abril de 2009

Nota da Autora

Os leitores medievais a chamam de O Banana.
Os mais sensíveis sacam na hora que ela é uma dama.
E os geniais estão nem aí pra isso.

06 de abril de 2009

Muda essa história, põe rosa!

"Se joga pintosa, põe rosa!

Eu não to aqui pra ser só mais uma
Mas também não me sinto a tal
Pra conquistar esse lugar eu faço cara de fatal... Que tal?

Danço do meu jeito, acredito, me aceito...
Ô BICHA! Eu sei que sou bonita
E o povo que aplaude,é o povo que acredita!

Se joga pintosa,põe rosa!
Faça a perigosa
Põe Rosa
Muda essa história
Põe rosa
Seja perigosa
Põe rosa!

Tô aqui pra ser feliz
Sentindo a batida
Tocando a vida
Cicatrizando a ferida

Cansei dessa historia de ser forte pra tudo aguentar
Se fingir de feliz, é bancar a trucosa...
Eu quero é mostrar que sou poderosa!

Se joga pintosa, põe rosa!
Uma imagem grita sem ter que falar nada
Tô Linda! Pelada! Pomposa"


Léo Áquilla

17 de fevereiro de 2009

Cerebelos adestrados

Não chore, não sinta, não viva - adormeça
Não crie, não vibre, não brilhe - entristeça
Não pense, não destoe, não ouse - esqueça
Não ria, não ame, não perdoe - padeça
Não pule, não brinque, não erre - envelheça
Não brigue, não corra, não queira - adoeça
Não questione, não cobre, não se esforce - permaneça

Role, dê a patinha, abaixe a cabeça.
E para completar, como bom menino,
Finja de morto e agradeça.

12 de dezembro de 2008

A(ssa)ssinado: O coelho

"Por que me usa? Em que me pareço contigo?
Essa idéia de que pode reinar sobre mim
Não faz o menor sentido.
Sob tortura, pressão e horror,
Antes tivesse morrido.
Mas não, foi muito pior o castigo.
Tornei-me o mais humano dos coelhos
E agora eu vivo frustrado e perdido."

Leiam: 50 Conseqüências Fatais de Experimentos com Animais